Jurisprudência em Teses do STJ, Ed. 231: Tese 9: A manifestação da ofendida sobre a revogação de medidas protetivas de urgência é irrelevante para a manutenção da prisão preventiva do acusado, pois a custódia cautelar, fundada na gravidade concreta da conduta, não está está na esfera de disponibilidade da vítima de violência doméstica.

231, Jurisprudência em Teses do STJ, Direito Penal, Lei nº 11.340/2006 – Lei Maria da Penha

Caso concreto adaptado.
Jorge foi denunciado por tentativa de homicídio praticada contra a sua companheira Anfisa. Conforme narra a peça acusatória, Jorge teria desferido uma facada na barriga da companheira. O fato teria ocorrido em 01/02/2022, ocasião em que a polícia chegou ao local e efetuou a prisão em flagrante. Após pedido do Ministério Público, o juízo converteu a prisão em preventiva.

Algum tempo depois, a defesa apresentou pedido de revogação da preventiva, no qual juntou aos autos carta de próprio punho, escrita por Anfisa, na qual esta pede que o pedido seja atendido.

O pedido de revogação da prisão preventiva feito pela vítima é relevante?
Não. É irrelevante, para fins de análise da custódia cautelar, a manifestação da ofendida sobre a revogação de medidas protetivas de urgência previamente fixadas em seu favor, notadamente quando a custódia é fundada na gravidade concreta da conduta. É dizer, não está na esfera de disponibilidade da vítima de violência doméstica a decisão acerca da manutenção da prisão preventiva do acusado, cuja competência para analisar sua necessidade e adequação é reservada ao Poder Judiciário
STJ. AgRg no HC n. 768.265/MG, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 19/12/2022, DJe de 21/12/2022.

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